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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Pioneiro

Consta que José Alves de Lima era um fazendeiro local quando aqui chegou o Guarda-Mor Francisco Vieira Carneiro. Provavelmente oriundo da região de Aiuruoca (porém, foram encontradas referências ao nome “José Alves de Lima” como descendente de um certo Capitão José Alves Lima, que se casou em meados do século 18 com Ana Maria da Conceição, natural de Aiuruoca – MG, tendo o casal 13 filhos, dentre os quais um de nome José Alves de Lima; há um documento de partilha de bens do Capitão José Alves Lima em São João Del Rei – MG).


Seja como for, o fazendeiro José Alves de Lima é tido como o primeiro ocupante das terras então denominadas “Campo do Lima”, tanto que, em 1826, doa uma parte delas para que fosse construída uma Capela em homenagem à São José, e em torno desta se desenvolveria um povoado.


Em pesquisas feitas na Internet, encontram-se referências à José Alves de Lima como também sendo um dos pioneiros na conquista e povoamento do Oeste Paulista.


Há indicações de que José Alves de Lima fizera parte do grupo de José Theodoro de Souza, “um homem franzino, de pequena estatura e fala mansa, tipo caboclo com fronte larga, olhos miúdos e queixo fino, pele clara com sardas, quase imberbe senão uma barba rala a cobrir-lhe o rosto e fios esparsos de cavanhaque no queixo. Vestia roupas simples e rudes, pés quase sempre descalços. Esta é a única descrição de um homem lendário, um obstinado matador de índios para lhes tomar as terras, porque também as ambicionava até onde a imaginação lhe pudesse levar, com isso a se tornar o mais ousado desbravador de sertões no oeste paulista no século 19, conseqüentemente o maior latifundiário particular de todos os tempos que São Paulo, capitania, província ou estado, já conheceu. Era intrépido, alegre, folgazão, festeiro e perdulário tanto, dizem, que chegou a trocar uma enorme fazenda por um negro escravo, violeiro e cantador de cateretê. Amado pelos amigos, odiado pelos inimigos, mas indistintamente temido por todos, se era chamado de Pai pelos nativos, a História, no entanto, o registrou para sempre como O Exterminador de Índios. Quase três décadas depois de 1847, quando de sua entrada triunfal em terras do oeste paulista, este homem morreu pobre e esquecido por todos, conta a história, exceto talvez por um indígena vingador de seu povo, que o matou a golpes de borduna em 24 de setembro de 1875, deixando o corpo no local para ser sepultado no Cemitério de São Pedro do Turvo, numa cova que de tão simples ninguém mais sabe onde encontrá-la.”


Fizeram parte da primeira comitiva [pioneira] de Theodoro, em 1847, José Alves de Lima, José da Cunha, Manoel Joaquim da Cunha, Messias José de Andrade, Manoel Alves dos Reis, Matheus Leite Moraes, João Vicente de Souza, Francisco de Souza Ramos [irmão de Theodoro], José Antonio Diniz e Anastácio José Feliciano. A todos José Theodoro doaria porções de terra para “congregar gente em um ponto determinado, onde pudesse surgir povoação, servindo de apoio àquele punhado de homens, perdidos na solidão imensa”.


José Alves de Lima instalou-se junto ao Correguinho da Porteira (Correguinho da Porteira deságua no rio Turvo principiava as terras de Theodoro, a fronteirar onde a propriedade dos herdeiros e meeira de José Alves de Lima que lhe faz divisa. O Correguinho da Porteira tornou-se conhecido por Correguinho ou Córrego dos Mineiros), nesta mesma época, vindo falecer algum tempo depois e sua posse entregue aos herdeiros e à sua viúva e meeira, conforme posto em Registro Paroquial de Terras, número 516, de José Theodoro de Souza.


Em outra cidade do Estado de São Paulo, há referências à José Alves de Lima.


“(...) no livro de número vinte, da Freguesia de Brotas, que está uma das primeiras referências históricas feitas a Dourado. Lá, no registro número sessenta do ano de 1856, feito em 5 de maio, há o registro de José Alves de Lima, natural de São José das Formigas, hoje conhecida como Paraisópolis, Minas Gerais. Está escrito no documento a seguinte referência “...no lugar denominado Dourado, que havia por posse feita há 26 anos mais ou menos”, por volta de 1830. Mais adiante, no dia 27 de maio do mesmo ano, Antonio José Vieira registrava uma parte de terras no valor de 285 mil réis e mais de oito alqueires de terras lavradias no local denominado Sítio das Contendas, situadas no “Bairro do Dourado” (folha cento e doze, registro número duzentos e quinze). Ainda em maio de 1856, Maria Francisca de Jesus, viúva de Joaquim Pereira de Araújo, também mineiro, registrava suas terras no “Sítio do Dourado”, situado às margens do Rio Jacaré-Pepira (folha cento e um verso, registro número cento e noventa).”


Datas à parte, também não há como negar que o fazendeiro que se estabeleceu aos pés do Machadão, era imbuído do mesmo espírito que o sertanista Gaspar Vaz da Cunha.

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