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domingo, 26 de maio de 2019

As urnas funerárias de Conceição dos Ouros/MG

Urna funerária indígena resgatada na casa de Pedro Ferreira Neto, em 1998

Segundo a jornalista Carla Barbosa publicou em seu blog, em 1998 foram descobertos vasos de cerâmica e uma ossada durante uma obra em uma residência na cidade de Conceição dos Ouros.

Alertados pela possível importância da descoberta, pesquisadores da UFMG e do Museu de História Natural, liderados pelo professor André Prous, realizaram estudos e novas escavações, encontrando outras duas urnas funerárias, mais cerâmicas e algumas pontas de flechas.

Em 2013, conforme notícia disponível no portal G1, outra urna indígena foi descoberta no bairro Chácara, durante uma obra de ligação de rede de esgoto. 

Urna indígena descoberta em 2013 (Fonte: Portal Cachoeira de Minas)
Estudos realizados datam as descobertas em até 700 anos atrás, ou seja, podemos supor que nossa região já era habitada por índios cerca de 200 anos antes da chegada dos portugueses ao Brasil! E podemos acrescentar à lista de sítios de relevância arqueológica os descobertos nas cidades de Itapeva, Camanducaia e Extrema, que podem jogar essa data para mais longe ainda!



sábado, 25 de maio de 2019

Primeira Fase – A Pré-História


“Somos devedores de parte do que somos aos que nos precederam. O dever de memória não se limita a guardar o rastro material, escrito ou outro, dos fatos acabados, mas entretém o sentimento de dever a outros, dos quais diremos mais adiante que não são mais, mas já foram. Pagar a dívida, diremos, mas também submeter a herança a inventário.” (Paul Ricoeur. A memória, a história, o esquecimento).

Mesmo que a ideia de contar a história de Paraisópolis já tenha dado seus primeiros passos (nesta nova etapa) apresentando uma descrição do município datada de 1878, não podemos ignorar o fato de que há indícios que nossa região tenha sido habitada por etnias indígenas, antes mesmo que os primeiros bandeirantes se atrevessem a adentrar a região conhecida como “Sertão dos Cataguases”. Esses povos, em sua maioria nômades, possivelmente os Cataguás (ou Cataguases), pertenciam ao tronco linguístico Macro-Jê, entendidos como perigosos e beligerantes, e talvez até canibais.


índios cataguases

O Sertão dos Cataguases, como Minas Gerais era conhecida à época, era considerada região proibida pela Coroa Portuguesa, e poucas bandeiras arriscavam-se a explorá-la. Foi somente após 1670 que a Coroa Portuguesa passou a organizar expedições mais robustas para explorar o Sertão Mineiro – a bandeira de Fernão Dias Paes Leme, o “Caçador de Esmeraldas”, reunia aproximadamente 600 homens! Duas são as rotas prováveis de Fernão Dias: uma, que partia da Vila de São Paulo de Piratininga, descia o vale do Rio Paraíba até a região de Lorena, e de lá atravessou para Minas Gerais pela Garganta do Embaú, indo se estabelecer onde hoje é a atual Baependi; a outra rota, também partindo da Vila de São Paulo de Piratininga, subiu a região dos rios Atibaia e Jaguari (literalmente, subindo a rodovia Fernão Dias!). Seu objetivo era a região de Sabarabuçu e sua lendária montanha de esmeraldas!


pintura retratando os índios brasileiros, do alemão Johann Moritz Rugendas


Estudiosos que se debruçaram sobre os mineiríndios (termo utilizado por Oilam José, em seu livro “Indígenas de Minas Gerais – aspectos sociais, políticos e etnológicos”, datado de 1965, para se referenciar aos indígenas que habitavam a região das Minas Gerais colonial) reconhecem que há uma lacuna nos registros históricos acerca da presença, ocupação e história, das tribos indígenas que viviam em nossa região.

E é justamente nessa investigação que nos dedicaremos nas próximas semanas!

Buscaremos levantar as diversas fontes disponíveis na Internet para traçar um esboço do que seria a pré-história de Paraisópolis: a história da presença humana antes dos primeiros bandeirantes que exploraram nossa região, seguindo os passos de Gaspar Vaz da Cunha. As urnas funerárias descobertas em Conceição dos Ouros permitem supor que outros indígenas por aqui também estiveram!


Múmia de um indígena. Obra de Jean-Baptiste Debret. O documento etnográfico acima mostra que o corpo foi sepultado no interior de uma igaçaba cerâmica (urna funerária). Modelo de estrutura funerária comum identificada em sítios arqueológicos no estado de Minas Gerais, incluindo o sul do estado


Infelizmente, a ocupação territorial de Paraisópolis nunca registrou indícios da presença humana antes dos bandeirantes: nenhum caco de cerâmica, pintura rupestre, urna funerária...

Mas, com um pouco de pesquisa e comparação das diversas fontes e relatos de expedições que exploraram os Sertões dos Cataguases atrás do cobiçado ouro, talvez seja possível traçar um perfil dos primeiros habitantes de Paraisópolis – mesmo que nunca tenham se fixado por aqui, é válido supor que os primeiros paraisopolenses eram indígenas!

sábado, 11 de maio de 2019

Nova etapa

Do início do ano letivo até a semana anterior, os alunos que fazem parte desta nova fase do Projeto Paraisópolis Histórico receberam as instruções sobre a criação do banco de dados que agrupará diversas informações e imagens históricas sobre a cidade.
Foram semanas de aulas de programação, nas quais os alunos aprenderam a desenvolver bancos de dados e criar as interfaces e códigos utilizando linguagem de programação.
Agora, estamos iniciando uma nova etapa: o aprendizado dos softwares que serão utilizados para a criação dos textos com recursos de multimídia e o tratamento das imagens que serão selecionadas e disponibilizadas no material digital desenvolvido.
Além disso, agora iniciaremos a etapa de organização dos materiais anteriormente pesquisados (catalogação das fontes, seleção dos materiais, digitalização e classificação) e o estabelecimento da cronologia da História de Paraisópolis.
Novas pesquisas deverão ser realizadas e novos materiais serão adicionados aos que já temos.
Com o desenvolvimento desta etapa, nosso progresso será relatado aqui.
Como uma prévia, deixo aqui imagens do "Tratado de Geographia Descriptiva Especial da Provincia de Minas Geraes", de José Joaquim da Silva (datado de 1878), que traz uma descrição da Vila de São José do Paraíso (páginas 165 e 166), cujo texto já foi publicado neste blog:





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Papéis empoeirados


Há quase 10 anos esses painéis estavam guardados num armário, sem uso, sem continuidade, sem finalidade. Lembranças de um projeto que um dia pensei em desenvolver, que se tornou uma lembrança empoeirada esquecida num canto.
Agora é o momento da retomada desse projeto e colocar novamente corpo e alma para dar vida a uma história que fez e continua fazendo parte da minha vida.
Sempre ouvi histórias e reminiscências dos mais velhos (principalmente de meu avô) sobre Paraisópolis: causos, lendas, coisas do cotidiano, lugares e pessoas que se perderam nas brumas do tempo.
E um dia pensei em criar um material, mais adequado à essa era digital, que contasse essa história, que agrupasse lembranças e fatos, e que ficasse disponível a estudantes, interessados, curiosos e todos os que tivessem desejo de conhecer a história dessa pequena cidade encravada na serras do Sul das Minas Gerais.
Porém, a rotina, o dia a dia, as tarefas e obrigações, acabaram por me afastar desse objetivo. Mas, eis que ao pensar em um projeto de informática para desenvolver com meus alunos do 2º ano do Ensino Médio, da Escola de Educação Primeiro Mundo, surgiu a ideia de ressuscitar o Projeto Paraisópolis Histórico. Ressuscitar e ampliar, organizando os materiais, refazendo, pesquisando mais e mais, e construindo (sobre os ombros de um gigante que me antecedeu, o pioneiro João Lopes de Paiva) a História de Paraisópolis!
Será um projeto desenvolvido por várias mãos, que necessitará de tempo e dedicação não apenas de minha parte, mas dos jovens alunos que se interessaram por algo que um dia eu comecei. Será um projeto de dois anos, que espero resultar em um material para consultas que seja útil para as futuras gerações, para que aqueles que caminhem pelos paralelepípedos da travessa Alves de Lima sejam conscientes e conhecedores da importância do personagem histórico que a batizou!
Esse espaço será utilizado para mostrar toda a trajetória do projeto durante esses dois próximos anos, além de transcrever as histórias sobre a cidade que forem sendo desvendadas!
Esse é somente o início da jornada!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Óia o trem!!!!"

Uma das construções históricas da cidade é o Centro Cultural Amílcar de Castro, mais conhecida como Estação Ferroviária.


(A estação em junho de 2010)


Ainda me lembro dos trilhos que saiam do pátio da estação e atravessavam a rua de paralelepípedos...


As informações que reproduzo a seguir foram tiradas do blog Estações Ferroviárias do Brasil, de Ralph Mennucci Giesbrecht.




Ramal de Paraisópolis - km 239 (1957) MG-2018
 Inauguração: 24.02.1912
Uso atual: centro cultural sem trilhos

Data de construção do prédio atual: 1914
HISTÓRICO DA LINHA: As informações dão conta da sua construção por volta de 1912. A linha saía da estação de Piranguinho. O ramal foi desativado em 22/05/1964.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Paraisópolis foi inaugurada em 1912, mas o prédio atual, muito bonito, somente foi aberto em 1914, conforme dístico, que também mostra o nome da RMV - que somente assumiu a estação e a linha em 1931. O nome da cidade durante a construção era São José do Paraíso: "Prosseguem com grande atividade os trabalhos de construção do ramal ferreo que a Companhia Sapucahy está construindo do Piranguinho a São José do Paraiso, passando pela villa de Vargem Grande, no Estado de Minas. O serviço de locação já se acha no lugar denominado Vera Cruz, adiante de Vargem Grande e duas léguas em direcção a São José do Paraíso" (O Estado de S. Paulo, 9/10/1909).
ACIMA: A estação de Paraisópolis em 1914 (Cessão Ricardo P. Palma - Acervo Projeto Paraisopolis Histórico).
Era a ponta de linha do ramal. Este foi desativado em 1964 e teve os trilhos retirados. Pelo menos até setembro de 1962 ainda constavam trens de passageiros que faziam a linha Itajubá-Paraisópolis nos guias Levi. Hoje (10/2004) o prédio abriga o Centro Educacional e Cultural Amilcar de Castro. Do lado da plataforma, o pátio não era largo - provavelmente o trem manobrava mais para a frente ou para trás da estação, posto que o pátio era estreito pois há um desnível que desce para a rua de baixo, antiga, com várias casas. Como a estação era terminal de ramal, supõe-se que deveria existir um virador, ou triângulo em algum ponto para reverter a composição. "Existia mesmo um virador próximo à estação onde hoje há uma rua em frente a um edifício de apartamentos. Esta rua foi construída bem em cima do virador que foi aterrado. Com 
isso revivi minhas reminiscências de infância, pois me lembro quando ainda bem pequeno, na década de 1970, andava neste virador, que era todo cimentado, de carrinho de rolimã. Não cheguei a ver o trem funcionar, as conheço as histórias de que a criançada da época corria para ajudar empurrar a locomotiva no virador para seguir na linha do lado contrário" (Demétrio Mota, 06/2005). Notícias de jornais de 1911 dão conta que a intenção era de se prolongar o ramal para o Estado de São Paulo, provavelmente para encontrar o ramal de Piracaia, em Piracaia, da E. F. Bragantina, que não era muito distante dali, passando pela cidade de Joanópolis, já em São Paulo e entre as duas terminais. Nessa época ambos os ramais estavam em fase final de construção. Porém, existe uma montanha bastante alta que dificulta a passagem de trens entre Paraisópolis e os lados de Joanópolis. Teria sido mais fácil a continuação para encontrar a E. F. Campos do Jordão, com terminal, construído em 1914, também próximo.
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local, 2004; Ricardo P. Palma; Sud Mennucci; Helcio Jusioli Tagliolato; Demétrio Mota, 2005; Acervo Projeto Paraisopolis Histórico; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1958; O Estado de S. Paulo, 1909; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias Levi, 1932-65)

Estação de Paraisópolis, em 1956. Foto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1958

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Primeira descrição do município de Paraisópolis (1878)

71º MUNICÍPIO - Vila de São Jose do Paraíso.

A freguesia de São José do Paraíso, conhecida em outro tempo pelo nome de Campo do Lima, foi desmembrada do município de Itajubá e elevada a vila de 1872 a 1873. Pertence à comarca de Itajubá, e dista da Corte 70 léguas e de Ouro Preto 78. Tem um colégio eleitoral composto de 53 eleitores.

(fotografia tirada a partir da extremidade do atual calçadão; à direita, o Mercado Municipal, em primeiro plano, e pouco adiante o prédio da Cadeia e Fórum, onde hoje se localiza a Fonte Luminosa )

Esta vila está colocada em uma formosa localidade, rodeada de verdejantes colinas: todas elas como que se curvam ante aquela sobre cujo extenso platô se ergue risonha e florescente a povoação.


(fotografia tirada a partir de uma das torres da Igreja do Rosário, localizada onde hoje está a praça Centenário / Clube Recreativo)

A vila contém perto de 300 casas, além da cadeia e três igrejas. Tem seis ruas e quatro praças regulares. Há na vila três aulas de instrução primária. Há também ali uma grande fábrica de vinho, licores e outros produtos alcoólicos. O vinho não é perfeito, mas espera-se que com esforços e capricho se tornará excelente.


(fotografia do prédio onde funcionava a cadeia e o fórum da cidade, mais tarde Clube Literário e Recreativo "Bueno de Paiva", demolido para dar lugar à Fonte Luminosa, da praça Coronel José Vieira - disponível no Arquivo Público de Minas Gerais)

A população do município eleva-se a 21.163 almas. A sua lavoura não é má; planta-se muito fumo e já se começa a plantar o café e a cana; produz muito bem a uva e toda casta de cereais. Exporta muito gado, porcos, toucinho e queijos.

Seu comércio é sofrível e importa muita fazenda, louça, ferragens, molhados, sal e tudo o mais que compõe o nosso gênero de negócio.

O pessoal do município é excelente e composto de homens ricos, civilizados e religiosos.

O número de escravos matriculados na coletoria do município de Paraíso foi de 4.164, e o fundo de emancipação que lhe foi distribuído é de 8:292$789.

O número de ingênuos nascidos em três freguesias do município até o fim de 1876 foi de 371, dos quais faleceram 102.

O município divide por um lado com o de Itajubá; por outro com os de Pouso Alegre e Ouro Fino; e por outro com o de Jaguari.

Compõe-se das freguesias e distritos seguintes:
1ª) freguesia de São José do Paraíso;
2ª) freguesia de Capivari;
3ª) freguesia de São João Batista das Cachoeiras;
4ª) distrito de Santana do Sapucaí-Mirim;
5ª) distrito de Nossa Senhora da Conceição dos Ouros.

(“Tratado de geografia descritiva especial da província de Minas Gerais” / José Joaquim da Silva / 1878)

Os Primeiros Anos (1826 - 1850)

O local outrora conhecido como Campo do Lima ganhou, durante esse segundo quartel do século XIX, outras denominações: o vento que aqui sempre soprou batizou-o inicialmente de São José da Ventania; em 1831, graças às saúvas que proliferavam por essas terras, foi chamada de São José das Formigas.

Administrativamente submissa à Vila de Pouso Alegre, respondia à Diocese de São Paulo nas questões religiosas, o que evidenciava a disputa, ainda mal resolvida, de divisas entre as Províncias de Minas Gerais e São Paulo.

No pequeno povoado, de ruas de terra e casas de taipa, iniciava-se o comércio com outras localidades, graças à abertura das estradas que ligavam as duas províncias.

O Guarda Mor Carneiro exercia o poder político, e a cada ano novos habitantes chegavam. Estabelecimentos comerciais, fazendas, escravos, animais de criação, pequenas casas e extensões de terras cultivadas compunham a paisagem, como acontecia em outros lugares do Brasil em seus primeiros anos de Império independente.

(Detalhe da capa provisória do livro "Paraisópolis de Ontem e Hoje", de João Lopes de Paiva, que acabou sendo substituída pela capa com a imagem da Pensão Machado)

Alvará da Criação da Capela de São José das Formigas

Em 22 de Outubro de 1827, Dom Pedro I concede o Alvará para a construção da capela por solicitação dos moradores do Sapucaí Mirim, nome da região onde estava assente o Campo do Lima, território da Freguesia de Pouso Alegre, sendo presidente da Província de Minas Gerais o Dr. João José Lopes Mendes Ribeiro.

O decreto foi referendado pelo Ministro do Império, Visconde de Caravelas, expedindo o ato abaixo transcrito:

“FAÇO saber que, requerendo-me os moradores do Sapucaí Mirim e irmãos devotos de São José, colocado na capela do mesmo nome, ereta na Freguesia de São José, colocado na capela do mesmo nome, ereta na Freguesia de Pouso Alegre, bispado de São Paulo, a graça de lhes aprovar a Ereção da dita capela. O que, visto a resposta do Procurador Geral das Ordens, hei por bem aprovar e confirmar a ereção da mencionada capela, revalidando com esta mesma aprovação e validade com que a mesma se acha ereta, ficando salvos os direitos paroquiais e os da fábrica da Igreja Matriz e inibido o uso de sepulturas dentro do templo, mandando aos procuradores das Capelas respectivas e demais pessoas a quem seu consentimento pertencer o cumpram a guarde como nela se contém, sendo passada pela Chancelaria da Ordem, e valerá posto que o seu efeito o haja de declarar mais de um ano sem embargo de ordenação em contrário.
O Imperador mandou pelos Ministros do seu Conselho e o Deputado à Mesa da Consciência e Ordem, Cláudio Joaquim Freire o fez.
Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 1827, sexto da Independência e do Império.
Pedro I – Imperador”

Após seis meses do decreto do Imperador Dom Pedro 1, em 17 de maio de 1828, ante o Alvará do Imperador, o Bispo de São Paulo, Dom Manuel, baixou o Cumpra-se e foi oficialmente ereta a Capela de São José das Formigas, registrando-se o mesmo Alvará em 13 de Janeiro de 1829, no livro do Tombo da Freguesia de Pouso Alegre pelo então vigário Cônego João Dias de Quadros Aranha, que se tornou o primeiro capelão da neo capela, inaugurando-a.

A igrejinha de São José das Formigas, tempos mais tarde, se tomou de importância, porque seu primeiro capelão foi eleito Senador do Império, e em 1845 tomando parte na Assembléia que outorgou a maioridade a Dom Pedro II.

(Paraisópolis de Ontem e Hoje, João Lopes de Paiva)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Fundador

Francisco Vieira Carneiro e Maria Joaquina da Silva

Francisco Vieira Carneiro nasceu por volta de 1768, em Pouso Alto. Era filho do capitão Antonio Vieira Carneiro e Inácia Maria da Silva. Casou-se com Maria Joaquina da Silva, filha de Joaquim Fernandes de Freitas e Maria Leme da Silva, em 01/07/1797, em Resende.

No verbete sobre Paraisópolis, Waldemar Barbosa, em seu "Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais", cita o guarda-mor Francisco Vieira Carneiro:

"PARAISÓPOLIS - José Alves de Lima e sua família foram os primeiros moradores do local que, durante algum tempo, foi conhecido por 'Campo do Lima'. Foi o mesmo José Alves de Lima que, por volta de 1826, doou o patrimônio para a futura capela de São José. O verdadeiro fundador da povoação, entretanto, foi o guarda-mor Francisco Vieira Carneiro, a cujos esforços se deve a construção da capela, logo após a doação do patrimônio. Na tarefa da construção da capela, foi ele auxiliado por José Bernardes Rangel, João Antônio Pereira, Bibiano Teixeira Pinto, Zacarias Pereira Lima, Francisco José Uchoa, Manuel Garcia Guedes e Carlos Joaquim Pereira Guerra. Francisco Vieira Carneiro devia ser homem de influência, pois, logo após a construção da capela, dedicada a S. José, D. Pedro I assinava o alvará de 22 de outubro de 1827, aprovando e confirmando a ere-ção da capela; o referido alvará acha-se registrado no Livro I de Tombo da paróquia de Pouso Alegre".

Além do filho Francisco Vieira da Silva, também são conhecidas, ao certo, duas filhas do casal:
i) Josefa Maria da Silva, casada com seu primo Francisco Fernandes da Silva, filho de João Fernandes da Silva e Francisca Maria de Siqueira.
ii) Mariana Teresa de Jesus, casada com Joaquim Gomes dos Santos, filho de José Gomes dos Santos e Maria Joaquina.

Há alguns outros prováveis filhos, mas sem confirmação documental.

O guarda-mor Francisco Vieira Carneiro foi um dos fundadores de Paraisópolis-MG, possuindo terras na região de Cristina a Paraisópolis (MG). Estava vivo por volta de 1839, mas faleceu antes de 1854.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Os Bandeirantes

Ao travarem os primeiros contatos com os indígenas do litoral brasileiro, os portugueses tiveram a cobiça despertada por “pedras brilhantes e amarelas” encontradas com os nativos.

 (Travessia do Rio Paraíba)
 
Sabedores do valor da riqueza mineral que poderia estar escondida atrás das verdejantes serras, assim que se estabeleciam, os colonizadores tratavam de organizar expedições de reconhecimento do território e de exploração. Era a corrida do ouro...
 
A Corte Portuguesa tentava intimidar os exploradores não-oficiais, para que não perdesse o controle e o direito sobre as riquezas a serem descobertas. Mas histórias contadas por nativos capturados e por corajosos exploradores solitários, sobre o amarelo faiscante do leito dos rios e das serras recobertas de preciosidades, foram mais fortes do que a Coroa.
 
Assim nasceram as “Bandeiras”, incursões ao interior inexplorado, em geral organizadas pelos paulistas sediados na Vila de São Paulo de Piratininga, ou nas nascentes vilas do Vale do Paraíba.
 (Batalha entre bandeirantes e índios)
 
Começava o tempo dos heróis e vilões: eram os “Plantadores de Cidades” desbravando e conquistando o interior do Brasil, à custa do massacre e escravização dos nativos.

(Terras da Serra da Mantiqueira)

domingo, 6 de junho de 2010

Período Colonial

Desde o descobrimento do Brasil, a região do Sul de Minas passou por várias denominações e esteve subordinado à diferentes centros de poder: iniciou pertencendo à Capitania de São Vicente, que deu origem à Capitania do Rio de Janeiro. À essa época, aqui eram os “Sertões dos Cataguases”, local inóspito e temido pelos poucos viajantes que se aventuravam nos rincões profundos da terra recém-descoberta.


Desde o século XVI, expedições de bandeirantes desbravaram o território das Minas, descobrindo ouro e outras riquezas. No início do século XVIII, para ter mais controle sobre o ouro que estava sendo descoberto na região das Minas dos Cataguases, e foi criada a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, desmembrada da Capitania do Rio de Janeiro.

Mapa das Capitanias do Brasil em 1707

Após a revolta de Vila Rica (1720), a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro foi desmembrada, originando a Capitania de São Paulo e a Capitania de Minas Gerais, com sede em Vila Rica, atual Ouro Preto.

Mapa das Capitanias do Brasil, em 1789


As Minas eram gerais

Minas Gerais era o Sertão dos Cataguases, um sertão cobiçado, pesquisado e mapeado pelas várias bandeiras que variam essa região vasculhando suas serras, navegando seus rios, revolvendo suas terras em busca das suas incalculáveis riquezas. Desbravada e demarcada pelas bandeiras que buscavam ouro e muitas outras que vinham para cá para guerrear e escravizar índios, sempre voltando para a sua origem, a região central de Minas permanecia inexplorada. A essa época, Minas passou de o Sertão dos Cataguases para Sertão das Minas dos Cataguases, Sertão das Minas do Ouro que chamam Gerais e, finalmente, Minas do Ouro.


Da Capitania de São Vicente à Capitania de Minas Gerais

Poucos anos após ser criada, em 22 de janeiro de 1532 por Martim Afonso de Sousa, a Vila de São Vicente tornou-se capital da Capital e mesmo nome. Esse território estendia-se do litoral sul do que hoje é o Estado de São Paulo até o sul do Rio de Janeiro. Mais tarde, a Capitania de São Vicente foi dividida em duas e a parte ao norte se tornou a Capitania do Rio de Janeiro, que englobava territórios de São Paulo, Minas Gerais, Góias, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

Em 3 de novembro de 1709, como consequência da Guerra dos Emboabas (1707-1709), que demonstrara a fragilidade do controle da Coroa Portuguesa sobre a região das recém-descobertas minas de ouro (visto que o governador da capitania de São Vicente residia na capitania do Rio de Janeiro - esta separada daquela em 1567), a antiga capitania de São Vicente foi transformada em Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, separada da do Rio de Janeiro.


O primeiro governador da nova Capitania, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, pacificador do conflito, estabeleceu as primeiras vilas: Vila Rica (atual Ouro Preto) e a Vila de Nossa Senhora de Sabará (atual Sabará). Posteriormente, a região foi dividia em três Comarcas: Ouro Preto (com sede em Vila Rica); Rio das Velhas (com sede em Sabará); e Rio das Mortes (com sede em São João del-Rei).



("Mapa da Capitania de Minas Geraes, com a deviza de suas comarcas", concluído em 1778, trabalho de José Joaquim da Rocha)

(Carta do Termo de Villa Rica, 1766)


(Mapa da Comarca do Sabará / Levantado por Bernardo Jozé da Gama - Na sequência do nome do autor contém a seguinte informação: "Em cumprimento da Régia Provizão do Desembargo do Paço de 25 de Agosto de 1813, seguindo a divizão ultimamente ordenada pelo Alv. de 17 de Maio de 1815. Vão os pontos de latitude segundo observação do Jezuita Padre Capacy". - A margem inferior do mapa encontra-se aparada ocultando parcialmente uma possível autoria, podendo no entanto ler-se "B.R. Baker Lithg. The writing by J. Netherclift". - Contém legenda.)


(Parte do mapa de José Joaquim da Rocha, de 1778, destacando a Comarca do Rio das Mortes, que corresponde ao atual Sul de Minas)


A partir de cerca de 1725 serão descobertos na região diamantes, consolidando a capitania como a principal economia da colônia à época, suplantando a da Região Nordeste do Brasil. Pela ação desbravadora dos bandeirantes a nova capitania passou a contar com um vasto território, que abrangia os sertões de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, para o sul, e de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso para oeste (ver Mapa das Capitanias, de 1707).

Como consequência da Revolta de Vila Rica (1720), além do adiamento da instalação da Casa de Fundição, materializou-se a autonomia administrativa das Minas, uma vez que, em 12 de setembro desse ano, D. João V desmembrou-a, instituindo a Capitania das Minas Gerais e a Capitania de São Paulo.


(Planta Geral da Capitania de Minas Gerais)


(Mapa da Capitania de São Paulo - legenda no mapa)

Na primeira foi então criada mais uma Comarca: Serro do Frio (com sede em Vila do Príncipe, atual Serro). O primeiro governador da nova capitania das Minas Gerais, D. Lourenço de Almeida tomou posse a 18 de agosto de 1721 na vila do Carmo. Uma de suas primeiras providências foi a instalação da sede do governo em Vila Rica.



(Mapa da Comarca do Serro do Frio, José Joaquim da Rocha)


Posteriormente, em 1748, no contexto da demarcação dos limites entre a América Portuguesa e a Espanhola, as regiões de Mato Grosso e Goiás foram desmembradas da de São Paulo, sendo criadas duas capitanias autônomas: a capitania de Mato Grosso, com sede em Vila Bela da Santíssima Trindade e a de Goiás, com capital em Vila Boa de Goiás.


A partir de 1772, a Coroa Portuguesa assumiu integralmente a produção diamantífera nas Minas Gerais, criando uma empresa para tal fim, a Real Extração dos Diamantes.




Período Pré Colonial

Primeiras evidências de ocupação humana na região do Sul de Minas Gerais


Sem comprovação ainda, estima-se que as pinturas rupestres encontradas em Extrema (Pedra do Índio) e Tocos do Moji, datam de mais de 2500 anos atrás. As escavações arqueológicas em Conceição dos Ouros revelaram materiais de cerâmica (utensílios, urnas funerárias, etc.) datando em torno de 700 anos atrás.


(Pintura rupestre encontrada na cidade de Tocos do Moji - Sul de Minas)

(Pintura rupestre encontrada na Pedra do Índio - Extrema, sul de Minas)

(Utensílio de barro de origem indígena encontrado em sítio arqueológico em Conceição dos Ouros, sul de Minas)

(Urna funerária de barro de origem indígena encontrado em sítio arqueológico em Conceição dos Ouros, sul de Minas)

"Os homens da pré-história mineira não moravam em cavernas, apenas aproveitavam casualmente as suas partes abrigadas, porém iluminadas, para se proteger das chuvas ou do sol quente. Em zonas mais frias, o sul de Minas e o Alto São Francisco (Pains e Arcos), faziam casas subterrâneas. Escavavam o solo a três metros de profundidade, abrindo valas de até 20 metros de diâmetro, e recobriam o local com um teto" (Revista Minas Faz Ciência Nº 11 - jun a ago de 2002).


"Essas aldeias de casas subterrâneas indicam um novo modo de vida introduzido pelos grupos de língua Jê, pois se encontram casas isoladas ou agrupadas em conjuntos, subterrâneas e semi-subterrâneas, elípticas, desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul" (Etnoconhecimento e saúde dos povos indígenas do RS).

Embora ainda sem estudos detalhados, acredita-se que a população indígena que habitava essa região eram denominados “Cataguases” pelos bandeirantes paulistas (que usavam genericamente esse termo para designar qualquer grupo não tupi que habitasse florestas – o termo significa “aquele que vive no mato”, sendo uma derivação de caá – “campo, mata ou árvore”, – “duro ou bruto”, e guá – “vale”).

Outros estudos indicam que os grupos aqui existentes seriam os Coroados (Kaiagang), Carapós e Puris (Os Sertões Proibidos da Mantiqueira: desbravamento, ocupação da terra e as observações do governador Dom Rodrigo José de Meneses). Em referências ao bandeirante Fernão Dias Pais, citam-se índios Mapaxos. Já o bandeirante Matias Cardoso de Almeida, capitão-mor e adjunto de Fernão Dias Pais, é citado como tendo expulsado os “terríveis índios” lopos da região de Atibaia e Sapucaí (?).



Índios Coroados (Coroatos e Corotos) - Litogravura de Rugendas.


Índios Puris - Litogravura de Rugendas.